Prefeitura quer desapropriar área estratégica para acabar com alagamentos no Monte Castelo

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A solução proposta pela Prefeitura de Parnamirim para os alagamentos no Cemitério São Sebastião vai muito além da desapropriação do terreno na Av. Brigadeiro Trompowsky, oficializada pelo Decreto nº 7.867/2025. Uma análise técnica do traçado revela que o desafio principal não é o destino final da água, mas o caminho que ela percorrerá.

Para conectar a bacia acumuladora (Monte Castelo) ao futuro dissipador (Passagem de Areia), será necessária a implantação de uma rede de macrodrinagem. Isso significa abrir valas profundas em vias públicas consolidadas, atravessando áreas residenciais e comerciais, para assentar tubos de grande diâmetro capazes de suportar o volume das chuvas.

O Procedimento Técnico: O Que Vai Acontecer na Sua Rua?

A obra deixa de ser apenas “construir um buraco no terreno desapropriado” e passa a ser uma operação de guerra urbana dividida em três frentes simultâneas ou sequenciais:

  1. A Desapropriação e o “Piscinão” (Dissipador):
    • Ação: Tomada do terreno na Av. Trompowsky para construir a estrutura que receberá a “pancada” da água, com caixas de areia e dissipadores de energia.
    • Complexidade: Média. Envolve terraplanagem e concretagem.
  2. A Adutora de Drenagem (O Túnel/Galeria):
    • Ação: Escavação de valas ao longo das ruas que ligam o Cemitério à Av. Trompowsky.
    • Complexidade: Altíssima. As máquinas terão que abrir o asfalto/calçamento, desviar de tubulações de água (Caern), esgoto, cabos de fibra óptica e postes. Em trechos urbanos, o avanço médio é lento (cerca de 12 a 20 metros por dia) devido ao cuidado para não abalar as fundações das casas vizinhas.
  3. Recomposição Urbana:
    • Ação: Fechar as valas, compactar o solo e refazer o pavimento (asfalto ou paralelepípedo) das ruas afetadas.

Novo Cronograma: A Realidade dos Prazos

Considerando a necessidade de conectar os dois pontos mostrados no mapa e assumindo um cenário sem chuvas (o que é ideal, mas raro em obras de drenagem) e sem embargos judiciais, este é o tempo estimado para a execução total:

Fase 1: Administrativa e Projetos (Imediata)

  • Tempo: 45 a 60 dias.
  • O que ocorre: Notificação dos proprietários do terreno, imissão na posse (via judicial ou acordo) e finalização do projeto executivo que define em quais ruas exatas a tubulação passará.

Fase 2: Execução da Obra (O “Grosso”)

Diferente da estimativa anterior (que focava apenas no terreno), a inclusão da galeria de interligação triplica o prazo.

  • Escavação e Assentamento de Tubos: Para cobrir a distância entre o Cemitério e a Av. Trompowsky, trabalhando com frentes de serviço mecanizadas, são necessários no mínimo 6 a 8 meses de trabalho ininterrupto.
  • Construção do Dissipador (No terreno desapropriado): 3 meses (pode ser feito simultaneamente à tubulação).

Fase 3: Acabamento e Testes

  • Tempo: 30 dias.
  • O que ocorre: Pavimentação final das ruas rasgadas e limpeza do sistema.

Veredito: Quando a obra fica pronta?

Se a Prefeitura der a Ordem de Serviço em Março de 2026 (após resolver a desapropriação urgente) e não houver interrupções por chuvas fortes:

  • Cenário Otimista (Mínimo Técnico): A obra estaria concluída em Janeiro ou Fevereiro de 2027.
  • Estimativa: 10 a 12 meses de obra.

Portanto, a promessa de solução imediata esbarra na física da construção civil. Embora a desapropriação seja urgente, os moradores de Parnamirim conviverão com máquinas, poeira e ruas interditadas por quase um ano até que a água do Cemitério encontre seu caminho até o novo dissipador.

Este prazo considera o uso de anéis de concreto pré-moldado (mais rápidos). Se a opção for por galerias moldadas “in loco” (feitas na hora), o prazo pode se estender para 18 meses.

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